Pai e filho foram capturados em uma área rural de Rio das Pedras (SP); outro integrante da família foi preso em Santa Bárbara d’Oeste. Prisões encerram importante etapa da investigação sobre crime que chocou o Noroeste do Paraná
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu, nas primeiras horas desta terça-feira (18), quatro homens que estavam foragidos ou eram procurados em razão do quádruplo homicídio ocorrido em Icaraíma, no Noroeste do Paraná, em agosto de 2025.
As prisões representam um importante avanço na investigação de um dos crimes de maior repercussão registrados na região nos últimos anos. A ação foi resultado de um trabalho contínuo de inteligência, levantamento de informações, monitoramento e articulação entre forças de segurança dos estados do Paraná e de São Paulo.
Segundo a PCPR, pai e filho foram localizados em um sítio situado na zona rural de Rio das Pedras (SP). Durante a abordagem, os dois ainda tentaram fugir e foram perseguidos pelos policiais em uma área de mata, onde acabaram capturados.
Outro filho do investigado foi localizado e preso em Santa Bárbara d’Oeste (SP). O quarto indivíduo relacionado ao caso já estava preso por outro crime e, com a nova ação policial, passa a responder também pelas circunstâncias relacionadas ao quádruplo homicídio investigado em Icaraíma.
“Desde a identificação dos suspeitos, a PCPR permaneceu empenhada em sua localização e empregou todos os recursos disponíveis para sua prisão”, afirmou o delegado da PCPR Izaias Cordeiro, chefe da Subdivisão Policial de Umuarama.
Foragidos foram monitorados pela inteligência policial
As prisões foram precedidas por uma série de levantamentos realizados pelas equipes de inteligência da Polícia Civil. Após a identificação dos possíveis locais onde os investigados estariam escondidos, os policiais passaram a acompanhar seus deslocamentos e hábitos, aguardando o momento considerado mais seguro e adequado para a operação.
“Com a identificação de seu paradeiro, realizamos o monitoramento e planejamos o melhor momento para a captura. Durante a ação em Rio das Pedras, pai e filho tentaram empreender fuga e foram capturados em meio à mata”, explicou o delegado Thiago Teixeira, do Departamento de Operações Especiais da PCPR.
A operação demonstra, segundo a Polícia Civil, que a investigação não foi interrompida mesmo durante o período em que os suspeitos permaneceram fora do alcance das equipes policiais.
Um crime que marcou Icaraíma
O quádruplo homicídio aconteceu em 5 de agosto de 2025, na zona rural de Icaraíma. As vítimas foram identificadas como Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Affonso e Alencar Gonçalves de Souza.
De acordo com as investigações divulgadas pela PCPR, o caso é tratado como um quádruplo homicídio qualificado, com indícios de planejamento prévio e execução mediante emboscada, seguido da ocultação dos corpos e do veículo utilizado pelas vítimas.
As investigações apontaram que três das vítimas teriam ido de São Paulo até Icaraíma para tratar de uma cobrança relacionada a uma dívida, enquanto Alencar Gonçalves de Souza estaria ligado à negociação que teria motivado o encontro. Informações divulgadas anteriormente indicam que a disputa envolvia uma negociação de propriedade rural.
O caso ganhou ainda mais repercussão quando a Polícia Civil localizou, em setembro de 2025, o veículo utilizado pelas vítimas enterrado em uma área de mata. Dias depois, os corpos foram encontrados em uma vala clandestina nas proximidades.
Investigação apontou elevado grau de planejamento
A apuração policial indicou a utilização de diferentes armas de fogo e a participação de mais de uma pessoa na execução. A Polícia Civil também esclareceu, em junho deste ano, que não havia elementos periciais que comprovassem tortura ou cárcere privado antes das mortes. Segundo a investigação, os disparos atingiram regiões vitais e os elementos reunidos até então indicavam mortes instantâneas.
Os investigadores sustentam que os corpos e o veículo foram ocultados posteriormente, em uma área de difícil acesso, o que teria exigido uma ação organizada para dificultar a localização das vítimas e dos vestígios.
Busca chegou à Interpol
Antes das prisões desta terça-feira, a PCPR já havia ampliado o alcance das buscas pelos principais investigados. Em julho de 2026, Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo foram incluídos na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo que permite a localização de foragidos em outros países e eventual adoção de medidas para extradição.
A medida demonstrava a determinação da Polícia Civil em localizar os investigados, mesmo diante do tempo transcorrido desde o crime.
Trabalho integrado
As prisões desta terça-feira também evidenciam a importância da integração entre as unidades especializadas da Polícia Civil do Paraná e as forças de segurança de São Paulo.
A partir dos levantamentos realizados no Paraná, as equipes conseguiram identificar possíveis esconderijos e acompanhar os deslocamentos dos investigados até a definição do momento adequado para a intervenção policial.
A ação contou com atuação do Departamento de Operações Especiais da PCPR e equipes vinculadas à estrutura policial responsável pela investigação do caso.
Para a Polícia Civil, a prisão dos envolvidos representa mais um passo fundamental para esclarecer integralmente a dinâmica do crime, identificar a participação individual de cada investigado e garantir que os responsáveis sejam submetidos à Justiça.
As investigações permanecem em andamento, e a PCPR deverá analisar novos elementos obtidos a partir das prisões para aprofundar a apuração sobre a participação dos envolvidos e eventual atuação de outras pessoas.
O caso, que durante meses manteve quatro investigados fora do alcance das autoridades, entra agora em uma nova fase: a dos interrogatórios, análise de provas e responsabilização dos envolvidos perante a Justiça.