Pesquisas desenvolvidas pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) confirmam que os tornados são fenômenos meteorológicos reais e relativamente frequentes no Paraná.
Os estudos, conduzidos por pesquisadores da área de Geografia e Meteorologia, revelam que o estado reúne condições climáticas propícias à formação desses eventos, especialmente durante os meses de primavera e início do verão, quando o calor e a umidade se combinam com frentes frias vindas do sul do continente.
De acordo com o levantamento da UEPG, nos últimos 50 anos aumentaram os números registrados de tornados no Paraná, mais de 600 ocorrências no Brasil, sendo 70% concentradas na Região Sul.
A maioria dos casos é classificada entre F0 e F1 na Escala Fujita, com ventos que variam de 65 km/h a 180 km/h, mas eventos mais severos também são registrados periodicamente.
Foto/Crédito: Agencia Estadual de Notícias
Evento recente reforça alertas científicos
Na noite de 07 de novembro de 2025, o município de Rio Bonito do Iguaçu, no centro-sul do Paraná, foi atingido por um tornado de altíssima intensidade. O fenômeno, confirmado oficialmente pelo Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), atingiu intensidade F2, com ventos estimados entre 180 e 250 km/h, deixando grande parte da área urbana destruída, além de vítimas fatais e centenas de feridos.
Segundo os pesquisadores da universidade, o caso de Rio Bonito do Iguaçu evidencia que os tornados não são eventos isolados no estado, mas parte de um padrão climático que precisa ser monitorado com mais atenção. “Esses fenômenos resultam da combinação de alta umidade, calor e instabilidade atmosférica. A ocorrência no Paraná é consistente com os padrões observados em toda a Região Sul”, explicam os estudiosos.
O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmou nesta segunda-feira (10) a ocorrência de mais dois tornados no interior do Paraná durante as tempestades da noite de sexta-feira (07), além de finalizar a classificação do tornado que já havia sido confirmado no município de Rio Bonito do Iguaçu. Os outros tornados aconteceram em Turvo e Guarapuava.
As análises foram feitas, além do trabalho em cima dos radares, com vídeos, sobrevoos e vistorias em solo. A equipe técnica segue realizando estudos e análises de outras ocorrências suspeitas.
Agencia Estadual de Notícias - Foto/Crédito: Valdelino Pontes
De acordo com o Simepar, as condições atmosféricas, com grande aporte de calor e umidade, além da intensificação e mudança na direção dos ventos com a altura, criaram um ambiente favorável à formação de tempestades severas e tornados no Estado. Fonte: AEN
Contribuição científica e prevenção
Os dados levantados pela UEPG ajudam a compreender melhor os padrões de formação e distribuição geográfica dos tornados no Brasil, contribuindo para melhorar os sistemas de alerta e de prevenção de desastres naturais. O trabalho da instituição tem servido de referência para órgãos de defesa civil, meteorologia e planejamento urbano.
A universidade reforça que o monitoramento climático contínuo e o investimento em educação preventiva são essenciais para reduzir os impactos desses eventos sobre a população. “A ciência mostra que os tornados ocorrem com frequência maior do que se imagina. Cabe ao poder público e à sociedade adotar medidas de preparação, informação e mitigação dos riscos”, destaca o grupo de pesquisa.
Um tornado geralmente ocorre quando há:
Ar quente e úmido + ar frio e seco + cisalhamento de ventos + tempestade intensa. Essa combinação produz a rotação e a energia necessárias para formar o funil característico que toca o solo. Foi que ocorreu em Rio Bonito do Iguaçu.
Fonte: Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e AEN/PR.