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Foz do Iguaçu terá Escola Nacional do Turismo para enfrentar a escassez de mão de obra
Com vagas abertas em todos os níveis, do operacional à gestão, município aposta na implantação da Escola Nacional do Turismo para qualificar profissionais, reduzir a sazonalidade e garantir mão de obra para um setor que segue em expansão.
30/06/2026 13h22
Por: Lúcio Freire dos Santos
Foz do Iguaçu tentando vencer um dos maiores desafios - Falta de mão de obra. Imagem: Divulfacao.

Foz do Iguaçu se consolidou como um dos principais destinos turísticos do mundo, mas enfrenta um desafio que ameaça acompanhar o ritmo de crescimento do setor: a escassez de mão de obra qualificada. O problema deixou de ser pontual e hoje atinge praticamente toda a cadeia produtiva do turismo, desde funções operacionais até cargos de gestão, dificultando a expansão das empresas e aumentando a disputa por profissionais preparados.

O diagnóstico foi feito pela Secretaria Municipal de Turismo, que transformou a falta de trabalhadores em uma das principais prioridades da gestão. A partir desse levantamento, o município estruturou um plano para fortalecer a qualificação profissional, reduzir os impactos da sazonalidade e criar condições para que as empresas consigam reter talentos.

"O maior desafio que encontramos foi a falta de mão de obra qualificada. Essa carência existe em todos os níveis, desde a camareira e o recepcionista até gestores e profissionais que ocupam cargos de decisão", afirma o secretário municipal de Turismo, Jin Petrycoski.

Segundo Petrycoski, a dificuldade já mudou a dinâmica do mercado de trabalho em Foz do Iguaçu. Com inúmeras vagas abertas e poucos profissionais capacitados, empresas disputam colaboradores experientes, principalmente nas funções estratégicas. A consequência é um cenário de alta rotatividade, que compromete a continuidade dos serviços e dificulta o planejamento do setor.

Reter profissionais e valorizar os salários

Para enfrentar esse gargalo, a Prefeitura trabalha em duas frentes. A primeira busca reduzir a sazonalidade do turismo, ampliando o fluxo de visitantes durante todo o ano. A avaliação da Secretaria é que, com ocupação mais constante, hotéis, restaurantes e atrativos deixarão de promover demissões nos períodos de baixa temporada, criando um ambiente mais estável para trabalhadores e empresários.

 

A expectativa é que essa permanência dos profissionais no mercado formal aumente a concorrência por mão de obra qualificada e, consequentemente, provoque uma valorização salarial. Na avaliação da gestão municipal, empresas que desejarem manter bons profissionais precisarão investir mais em remuneração e desenvolvimento das equipes.

"O turismo precisa oferecer oportunidades mais atrativas. Com visitantes durante o ano inteiro, as empresas terão que reter talentos e isso naturalmente vai elevar a valorização desses profissionais", destaca Petrycoski.

A estratégia também busca evitar que trabalhadores deixem o setor durante os meses de menor movimento e acabem migrando para a informalidade, situação recorrente em destinos turísticos que sofrem com fortes oscilações de demanda.

Escola Nacional do Turismo

A segunda etapa do projeto é considerada a mais estruturante. O município articula a implantação da segunda unidade da Escola Nacional do Turismo, iniciativa desenvolvida em parceria com o Governo Federal, a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e o Instituto de Hotelaria, Gastronomia e Turismo (IHGT).

A proposta prevê cursos voltados tanto para quem deseja ingressar no mercado quanto para profissionais que já atuam no setor e precisam de atualização técnica. A formação também contemplará gestores e empresários, especialmente aqueles envolvidos na sucessão de empresas familiares, ampliando a profissionalização da atividade turística em Foz do Iguaçu.

Embora o município tenha tentado sediar a primeira unidade da Escola Nacional do Turismo, o projeto inaugural foi implantado em Belém. Ainda assim, as articulações continuaram e Foz avançou nas negociações para receber a segunda unidade do país.

O programa já possui previsão orçamentária aprovada pela Prefeitura e deverá oferecer incentivos como auxílio-transporte e bolsaspara estimular a participação dos estudantes. A expectativa é que a formação esteja diretamente conectada às necessidades do mercado, facilitando a inserção imediata dos alunos no setor turístico.

"A demanda por profissionais é muito maior do que a oferta. Nossa expectativa é que praticamente todos os alunos concluam os cursos já com oportunidades de emprego",afirma o secretário.

Os últimos ajustes burocráticos estão em andamento e a expectativa é que, nos próximos dias, o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano visite Foz do Iguaçu para conhecer a estrutura do IHGT e oficializar o convênio que permitirá o início das atividades da Escola Nacional do Turismo no município. A iniciativa é vista como um passo estratégico para fortalecer a competitividade do destino e preparar a cidade para o crescimento contínuo da atividade turística nos próximos anos.

Texto: Silvana Canal

Fotos: Divulgação