Às margens do Rio Paraná, no município de Alto Paraíso, o distrito de Porto Figueira, reúne aquilo que cada vez mais chama a atenção de quem procura experiências junto à natureza: rio, ilhas, paisagens, biodiversidade, pesca esportiva, passeios náuticos e uma história marcada pela ligação entre dois estados. Mas Porto Figueira não está apenas descobrindo agora sua vocação turística. O distrito já foi uma importante porta de ligação entre o Paraná e Mato Grosso do Sul.
Até o final de década de 1990, antes da transformação de rodovias da região, Porto Figueira era um dos principais pontos de travessia do Rio Paraná por meio de balsas.

PARQUE NACIONAL DE ILHA GRANDE - CRIADO EM 1997
As embarcações faziam a ligação entre o Paraná e o Mato Grosso do Sul, atravessando para a Ilha Grande. Depois da travessia, a antiga rota seguia por aproximadamente 25 quilômetros até alcançar o Porto Morumbi, no município de Eldorado (MS).
Era uma época em que o Rio Paraná não era apenas cenário de contemplação ou destino de pesca. Era caminho. Era passagem. Era ligação.
Por Porto Figueira passaram moradores, trabalhadores, produtores, comerciantes e viajantes que dependiam da travessia para estabelecer a conexão entre os dois estados. Com o surgimento de novas alternativas de transporte e a mudança na dinâmica regional, a antiga rota perdeu sua função e acabou desativada.
Décadas depois, porém, aquela mesma região começa a ser enxergada sob uma nova perspectiva. Se antes o caminho servia para ligar pessoas e mercadorias, agora ele pode ajudar a ligar turistas à natureza.
Um patrimônio natural protegido desde 1997
A transformação de Porto Figueira em destino turístico também está diretamente relacionada à importância ambiental do território onde está inserido. Em 30 de setembro de 1997, foi criado o Parque Nacional de Ilha Grande, uma das mais importantes unidades de conservação do Rio Paraná.
O Parque abrange nove municípios dos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, entre eles Alto Paraíso, e protege um amplo conjunto de ilhas, ilhotas, várzeas, planícies de inundação, águas lacustres e lagunares e ambientes associados ao Rio Paraná. O decreto de criação estabelece, inclusive, que os limites da unidade têm início em um ponto às margens do rio, a sudoeste de Porto Figueira.

PORTO FIGUEIRA - ALTO PARAÍSO/PR.
Com aproximadamente 78,8 mil hectares, o Parque integra o complexo ecossistema do Corredor de Biodiversidade do Rio Paraná. Esse patrimônio natural ajuda a explicar por que Porto Figueira possui uma vocação tão forte para o turismo de natureza.
Documentos de planejamento do próprio Parque já registram Porto Figueira como uma das localidades relacionadas à unidade de conservação e apontam que, após a criação do Parque Nacional de Ilha Grande, distritos como Porto Figueira e Porto Camargo passaram a refletir a ampliação do movimento turístico na região.
A natureza como novo produto turístico
O futuro de Porto Figueira começa a ser desenhado justamente a partir dessa combinação entre natureza e estrutura. O distrito vem recebendo investimentos públicos, em uma parceria entre o Governo do Paraná e o município de Alto Paraíso, enquanto a iniciativa privada também começa a ampliar sua participação com a construção de casas de veraneio, pousadas e marinas náuticas. Esses investimentos e serviços especializados estão criando uma estrutura cada vez mais preparada para receber visitantes.
Porto Figueira já conta com guias de pesca, barcos para locação e profissionais que conhecem profundamente o Rio Paraná. Um exemplo é a Pousada do Braz, que, além da hospedagem, oferece barcos e piloteiros, especialmente para aqueles que chegam em busca da pesca esportiva e das experiências proporcionadas pelo rio.
A pesca esportiva é um dos principais atrativos, mas a proposta vai muito além. A perspectiva é transformar Porto Figueira em uma referência também para passeios náuticos, contemplação, observação de aves, ecoturismo e turismo de aventura.
O prefeito de Alto Paraíso, Eliseu Canaã, destaca que o município trabalha na criação de novos atrativos turísticos, especialmente aqueles relacionados ao contato com a natureza. A intenção é aproveitar o que Porto Figueira tem de mais valioso: o Rio Paraná e o patrimônio natural que o cerca.
Uma antiga estrada pode ganhar uma nova função
A antiga rota que ligava Porto Figueira à região de Porto Morumbi, passando pela Ilha Grande, hoje desativada em sua antiga função de ligação terrestre, pode representar uma oportunidade para a criação de novos produtos turísticos, sempre condicionados às regras de conservação e ao planejamento do Parque Nacional.
Imagine percorrer parte desse caminho de bicicleta, ou fazer uma caminhada por uma rota interpretativa, conhecer a história das antigas travessias, observar aves, contemplar paisagens, percorrer trechos em roteiros de aventura, e finalmente fotografar tudo com sua própria lente? Ou simplesmente descobrir, em ritmo mais lento, uma paisagem que durante décadas foi conhecida principalmente como passagem de veículos?
A antiga estrada das balsas pode se transformar na nova estrada do turismo.
Uma rota de ecoturismo e cicloturismo poderia, no futuro, resgatar essa memória e criar uma experiência diferenciada entre Paraná e Mato Grosso do Sul. Mais do que recuperar um caminho, seria uma forma de recuperar uma história.

PORTO FIGUEIRA - ANTIGA PORTA DE ENTRADA DO MS
PORTO FIGUEIRA VOLTA A SER PROTAGONISTA
Durante muito tempo, Porto Figueira foi conhecido pela importância de sua travessia, hoje, Porto Figueira continua sendo o protagonista, mas por outra razão: É o local que atrai o pescador, que leva o turista às ilhas, que proporciona os passeios náuticos, é o lugar de belas paisagens; que abriga uma das maiores riquezas ambientais do Noroeste do Paraná. A região que ja está definitivamente no mapa do turismo regional.
Porto Figueira, portanto, tem história e tem natureza. O local pode viver um novo capítulo, através de uma transformação que já começou. O desafio agora é transformar esse potencial em um destino turístico estruturado, sustentável e capaz de gerar renda e oportunidades para a população local.
A vocação está presente, a natureza está preservada - A história existe, o setor privado começou a investir. E o poder público trabalha para criar as condições necessárias para que o turismo avance.
Se depender da força do Rio Paraná, da beleza de suas paisagens e dos investimentos que começam a chegar, essa história está apenas começando.
Essa é, apenas síntese do que de uma avaliação aguçada por jornalista Lucio Freire dos Santos - Foiliado a Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo/Seccional do Paraná.
Imagens/Crédito: Anderson Guimarães
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